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Como poupar: será que o brasileiro sabe guardar dinheiro?

Quantas vezes você já andou se perguntando como poupar de forma adequada?



Se você é brasileiro, presumimos que essa pergunta já passou várias vezes na sua cabeça. Porém, pouquíssimas vezes com sucesso. Afinal, é de conhecimento mundial que o brasileiro não sabe guardar dinheiro.

Embora dura, a sentença é verdade e está pautada em fatos. Podemos citar aqui, por exemplo, a última edição do estudo The Global Findex, organizado pelo Banco Mundial. Nela, vimos que menos de 15% dos brasileiros pouparam no período de um ano. 

Claro, como um estudo organizado por uma entidade internacional, o Brasil não foi o único avaliado. Na verdade, mais de 140 países participaram da pesquisa - na qual nós ficamos na 74ª posição. 

De acordo com as análises feitas pelo grupo de pesquisa, a dificuldade de lidar com o dinheiro e de manter uma boa organização financeira impacta vários aspectos da vida da pessoa, principalmente em lidar com situações análise de risco.

Outro estudo, desta vez realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avaliou que em países onde a educação financeira é disseminada desde cedo, a sociedade tem mais capacidade de identificar momentos de diversificação de risco apenas com uma simples conta.

Como poupar: afinal de contas, por que o brasileiro não poupa?


Há quem defenda que o brasileiro não poupa porque ganha pouco. E a ideia não está totalmente equivocada...

O levantamento do Banco Mundial mostrou que existe uma forte relação entre renda e percentual de pessoas que fazem reservas. Isso porque, se considerarmos apenas países com renda per capita inferior a 12.000 dólares ao ano, o Brasil, cuja renda per capita por mês é estimada em 1.373 reais, ficaria bem atrás no ranking.

Além disso, o que mais explicaria tal comportamento? O hábito de não guardar dinheiro é resultado de uma combinação de fatores que inclui até fatos históricos do Brasil.

A história ajuda a explicar a dificuldade do brasileiro de guardar dinheiro


O Brasil viveu muitos anos de recessão econômica, principalmente depois da década de 1980. Já em 1989, o Brasil se viu inundado em inflação e crise econômica. Ao longo do governo Collor, a chamada hiperinflação - quando a inflação atinge patamar acima de 50% ao mês - estourou e assolou o país por quatro anos.

A crise só foi controlada em 1994, com a implementação do Plano Real, no governo de Itamar Franco, pela equipe de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Os governos seguintes contiveram a crise e expandiram a economia do país, fazendo com que o Brasil atingisse um dos dos crescimentos mais expressivos - quando o PIB bateu 7,5% em 2010.

De acordo com a especialista em finanças e professora da PUC-Rio, Graziela Fortunato, nos anos 1980 e 1990, quando o Brasil passava por um período de hiperinflação, a preocupação das pessoas não era poupar. Era comer. Dessa forma, poupar era um luxo.

A poupança ainda é um bom meio para guardar dinheiro?


Ainda segundo Fortunato, não, a poupança não é um bom meio de guardar dinheiro. Se considerarmos a inflação de hoje, de 4,5% ao ano e compararmos com o rendimento da poupança, de 0,37% ao mês, vemos que não estamos nos protegendo nem da inflação. 

Sendo assim, optando pela poupança, o nosso dinheiro vai perdendo valor com o tempo. Então, as pessoas colocam o seu dinheiro na poupança, percebem que está rendendo pouco e, por isso, começam a achar que é mais interessante gastar.

A baixa rentabilidade não estimula o brasileiro a poupar, justamente porque ele não conhece opções melhores. Ele não sabe, por exemplo, que com 30 reais já pode começar a investir em Tesouro Direto.

Quer começar a aprender como poupar? Então fique atento


Primeiro, é preciso que você pare para fazer uma análise do seu estilo de vida e da sua situação financeira. Assim, você pode fazer anotações em um papelzinho mesmo, sem usar planilhas ou recursos mais sofisticados. Aí, é só começar a listar quais são os seus gastos básicos, como aluguel, luz, telefone, mensalidade escolar. Lembre-se: são as coisas que você realmente precisa para viver.

Depois, é hora de anotar os gastos “híbridos”. São aqueles que também são muito importantes, mas que, de alguma forma, podem ser reduzidos.A compra do supermercado é um exemplo: você precisa se alimentar, mas consegue economizar trocando marcas ou reduzindo o consumo de alimentos que fazem mal à saúde e custam caro.

Por fim, é importante incluir os gastos que podem ser reduzidos ao máximo em casos de necessidade. Saídas ao cinema, restaurantes e viagens frequentes são alguns deles.

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